Acordo acaba com greve na GM

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Os cerca de 16 mil metalúrgicos das fábricas da General Motors (GM) em São José dos Campos e em São Caetano do Sul, ambas no Estado de São Paulo, aceitaram ontem proposta de reajuste salarial de 8,3% mais abono de R$ 1.950 e encerraram a greve por tempo indeterminado iniciada sexta-feira. A decisão foi tomada em assembleias em porta de fábrica.

As negociações terminaram sexta-feira, em audiência de conciliação realizada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entre a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado ao Comando Nacional de Lutas (Conlutas). A proposta representa aumento real de 3,7% (acima da inflação) e contempla salários de até R$ 7 mil. Acima desse valor, haverá reajuste no valor fixo de R$ 581.

Também ficou definido o pagamento pela GM de 50% dos dias parados. A outra metade será compensada pelos trabalhadores, que fizeram quatro paralisações de 24 horas desde o dia 10. O acordo beneficiou os trabalhadores da GM de São Caetano do Sul, cujo sindicato é filiado à Força Sindical.

“Os metalúrgicos da GM deram um grande exemplo de luta e resistência nessa campanha salarial”, disse o presidente do sindicato, Vivaldo Moreira Araújo. “Fomos para cima da empresa e não tivermos medo de lutar por melhores propostas”, acrescentou, referindo-se aos acordos feitos pela da rival Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Desde quinta-feira à noite, quando os metalúrgicos da região do ABC paulista (ligados à CUT) entraram em greve, 41 empresas já procuraram o sindicato e se comprometeram em atender às reivindicações dos trabalhadores para que a produção fosse retomada.

Eles querem reajuste salarial de 6,53% (2% de aumento real) e abono igual a um terço do salário médio nas empresas. São os mesmos índices conquistados pelo sindicato nas negociações com as montadoras.

Greve já afeta Volks e Renault

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A greve dos metalúrgicos já traz prejuízos para as fábricas da Volkswagen-Audi e Renault-Nissan em São José dos Pinhais, no Paraná. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, até ontem as duas montadoras, juntas, deixaram de produzir 7.040 veículos.

Em campanha salarial, os cerca de 8,5 mil metalúrgicos da Volks-Audi e Renault-Nissan decidiram cruzar os braços na semana passada, porque as montadoras não apresentaram nenhuma proposta de aumento real de salário, além da reposição das perdas com a inflação. A data-base da categoria é 1º de setembro.

Com a produção parada desde o início da tarde de quinta-feira, a Volks já deixou de fabricar 3.920 automóveis, dizem os sindicalistas. A produção média diária na fábrica é de 840 carros dos modelos Fox, Crossfox e Golf. Desse total, cerca de 80% é comercializado no mercado interno. Os 20% restantes são exportados para Uruguai, Paraguai, Argentina, Chile, Estados Unidos, Canadá e Alemanha.

Já a Renault, cuja paralisação começou na sexta-feira e manhã, já deixou de fazer 3.120 carros, segundo o sindicato dos metalúrgicos. São produzidos na fábrica em média 780 automóveis por dia, dos modelos Mégane Sedan, Mégane Grand Tour, Logan, Sandero Master e Sandero Step Way. Também são produzidos o Livina e a picape Frontier, ambos no âmbito da parceria Renault-Nissan. Cerca de 80% desses veículos são destinados ao mercado interno e os 20% restantes são exportados para Argentina e México.

O prejuízo pode aumentar ainda mais. Ontem, os trabalhadores mantiveram a greve por tempo indeterminado, já que nem Volks nem Renault apresentaram nova proposta de reajuste.

Os metalúrgicos da Volks-Audi reivindicam 10% de reajuste, o que inclui aumento real além da reposição da inflação. Além disso, exigem um abono de R$ 2 mil. Na Renault, a reivindicação é a mesma, acrescida de 1% de aumento que ficou pendente da negociação de 2008.

Segundo o sindicato, a produção vinha em alta tanto na Volks-Audi como na Renault. A Volks comprou todos os sábados dos trabalhadores até novembro. Na Renault, foram feitas 600 contratações em agosto.

ABC - Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, os sindicalistas prometem parar hoje o primeiro turno da Mercedes-Benz, Scania, Ford, Rassini, Mahle Metal Leve e Karmanghia.

As paralisações integram a semana de mobilização organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para pressionar as montadoras e autopeças a atender às reivindicações da campanha salarial. A categoria exige aumento real de salário, em índice a ser definido na mesa de negociações.

Na sexta-feira, cerca de 5 mil metalúrgicos, reunidos em assembleia, rejeitaram por unanimidade a proposta salarial das montadoras e das autopeças de repor apenas a inflação do período sem aumento real.

Em rodada de negociação realizada ontem, as montadoras não apresentaram nova proposta. Está prevista nova rodada amanhã. No sábado, haverá assembleia-geral decisiva na sede do sindicato.