Crise afetou mais quem tem menor escolaridade

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A renda média dos trabalhadores brasileiros teve crescimento real de 3,52% em 2008, passando de R$ 1.442 para R$ 1.494 mensais. Mas esse aumento foi sobretudo um reflexo da dinâmica da crise, que provocou a demissão, em maior escala, dos trabalhadores com menor escolaridade e menor rendimento no mercado formal. No ano passado, houve perda líquida de quase 148 mil vagas formais entre os trabalhadores com instrução até a oitava série do ensino fundamental. A abertura de novas vagas de trabalho se concentrou entre quem tem pelo menos o ensino médio completo e recebe salário maior.

Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho. A Rais é um diagnóstico mais amplo do mercado formal, pois agrega as informações sobre as contratações pelos regimes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e estatutário, dos servidores públicos, além dos temporários e domésticos.

“Quem mais perdeu emprego foi quem ganhava menos e tinha menos instrução e isso explica muito porque a média salarial cresceu”, disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Entre os trabalhadores com ensino médio completo houve aumento de 9,8% no total de empregados em 2008 em relação a 2007. Mas o total de empregados com instrução até a quarta série caiu 3,16%.

O rendimento médio oculta variações que vão desde um crescimento de 8,6% na renda média dos trabalhadores do Estado do Piauí, que passou de R$ 1.016 para R$ 1.103, até uma queda de 5,07% ,que ocorreu entre os empregados no Estado de Roraima, que caiu de R$ 1.606 para R$ 1.524.

Segundo o ministro, a Rais revelou que no Piauí houve crescimento acentuado nos rendimentos originados nos serviços médicos e odontológicos, enquanto em Roraima houve um declínio nos rendimentos pagos pela indústria química.

Em São Paulo, houve aumento de 2,28% da renda média, que puxou o valor de R$ 1.694 para R$ 1.733. O que contribuiu para que o Estado ficasse com crescimento de renda menor que o do país foi o freio que a crise impôs à indústria no fim do ano e a levou a demitir milhares de trabalhadores.

Pelo segundo ano consecutivo, a Rais também revelou que se abriram oportunidades de emprego aos jovens entre 16 e 17 anos, e também para os trabalhadores mais velhos, com mais de 50 anos. O Brasil alcançou a marca de 39,442 milhões de empregos formais, entre celetistas e estatutários, aumento de 1,834 milhão (4,88%) em relação a 2007, quando havia 37,607 milhões de trabalhadores formais no país. “Em 2009 chegaremos à marca de 40 milhões de empregos formais no Brasil”, disse Lupi.

Declararam a Rais no ano passado 7,143 milhões de estabelecimentos, sendo 3,085 milhões com empregados e 4,058 milhões sem empregados contratados, um aumento de 3,7% no total de estabelecimentos ante 2007.